Jamais uma mulher voou tão alto no salto com vara como Yelena Isinbayeva. Bicampeã olímpica e 26 vezes recordista mundial, a russa ainda desconhece seu próprio limite. Sempre diz que pode mais. Ninguém duvida. Ontem, contudo, a atleta nascida há 27 anos em Volgogrado falhou. E, pela primeira vez desde que iniciou a brilhante carreira no cenário internacional, chorou uma derrota diante do incrédulo público nas arquibancadas do Estádio Olímpico de Berlim.
?Não tenho explicação válida para o que ocorreu ontem?, disse Isinbayeva, que não acertou nenhum salto na final do Mundial de Atletismo de Berlim e terminou em último lugar. A mesma incredulidade dos espectadores ante o fracasso da maior atleta de todos os tempos na modalidade refletiu-se nas palavras da nova campeã mundial da prova, a polonesa Anna Rogowska. ?Se alguém me dissesse, antes da prova, que eu seria campeã, daria risada?, declarou a medalhista de ouro.
Na final de ontem, Isinbayeva começou a saltar apenas com o sarrafo em 4,75 metros, enquanto as suas adversárias já tinham garantido marcas menores. Mas a russa não conseguiu superá-lo na primeira tentativa. Em seguida, aumentou para 4,80 metros. E nas duas tentativas a que ainda tinha direito, falhou novamente, provocando a maior surpresa da atual edição do Mundial de Atletismo.
Mas ela demonstrou ter plena consciência de que algo imponderável ocorreu em Berlim. ?Meu objetivo era ultrapassar cada altura na primeira tentativa. Foi o que eu fiz?, disse Anna Rogowska, que foi seguida por outra polonesa, Monika Pyrek (prata com 4,65 metros), e por uma norte-americana, Chelsea Johnson (bronze também com 4,65 metros).
Mais contida e livre do sal das lágrimas, Isinbayeva disse que pretende usar a derrota como lição para os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.
Brasileira
A brasileira Fabiana Murer deixou a final do salto com vara frustrada. Estava confiante em conseguir um lugar no pódio, mas ficou apenas com a quinta posição. Ela ultrapassou o sarrafo colocado a 4,40 metros e a 4,55 metros logo nas primeiras tentativas. Mas falhou nas três vezes em que tentou superar os 4,65 metros. ?Não sei o que deu errado, não sei o que ocorreu, mas não estava conseguindo acertar o ritmo. Os saltos que eu fiz na eliminatória foram melhores que os de ontem?, lamentou Fabiana Murer, cuja melhor marca é 4,82 metros, obtida neste ano, quando bateu o recorde sul-americana. Fabiana Murer esperava superar, agora no Mundial, o drama vivido na Olimpíada de Pequim, onde uma de suas varas desapareceu durante o torneio. ?Lá, saí da competição com raiva. Aqui, saio triste. Uma competição não tem a ver com a outra. Eu sabia que era possível disputar uma medalha e estava confiante?, admitiu a brasileira.
Despedida
Classificada à final do salto triplo do Mundial de Berlim, com a marca de 14,14m, Gisele Oliveira já havia alcançado sua meta na competição. Com a conquista de uma medalha além de suas expectativas, a brasileira fez duas tentativas na prova decisiva e parou, se despedindo da capital alemã com a 12ª colocação.
(Fonte:AE)











