Em uma época em que o futebol feminino brasileiro ainda buscava espaço, reconhecimento e oportunidades, algumas jogadoras ajudaram a construir, dentro de campo, a história da modalidade. Entre elas está Maria Eliane da Silva, conhecida como Elianinha ou Garrinchinha no Tocantins.
Natural de Bambuí (MG), Maria Eliane construiu no Tocantins uma trajetória marcada pela versatilidade. Sua posição de origem era a lateral-esquerda, mas ela se destacava por atuar em diferentes setores do campo e se considera uma verdadeira jogadora coringa.
Trajetória no futebol
Elianinha começou a jogar futebol no Sol Nascente Esporte Clube, sob o comando do treinador Reisimar. Depois, passou pelo Gurupi Esporte Clube, equipe pela qual teve a oportunidade de representar o Tocantins em uma competição nacional.
Ela participou da 7ª Copa Brasil, cujo técnico foi Bené, competição que reunia equipes de diferentes regiões do país. Entre os clubes que guarda na memória estão Vasco da Gama, Gama (DF) e Saad (SP).
Ao longo da carreira, também defendeu equipes de Porto Nacional, Palmas e Taquaralto, além de outros times das cidades vizinhas. A passagem por diferentes clubes mostra a importância que o futebol teve em sua vida e também a disposição para atuar em uma época em que as oportunidades para mulheres eram muito mais restritas.
Foi no Olaria Esporte Clube, de Gurupi, sob o comando do técnico Messias, que Maria Eliane recebeu o apelido de Garrinchinha. O apelido passou a fazer parte de sua identidade no futebol.
Uma jogadora que ajudou a abrir caminhos
Garrinchinha pertence a uma geração que enfrentou um cenário muito diferente do atual. O futebol feminino ainda lutava por espaço, estrutura, competições e reconhecimento.
Foi justamente nesse período que surgiram grandes referências da modalidade no Brasil, como Sissi, Michael Jackson, Kátia Silene, Pretinha e a goleira Meg, entre outras atletas que ajudaram a dar visibilidade ao futebol feminino e inspiraram novas gerações.
Elianinha/Garrinchinha também fez parte dessa história. Mesmo sem a estrutura e a visibilidade que o futebol feminino possui atualmente, ela continuou jogando e defendendo diferentes equipes, ajudando a manter a modalidade em atividade no Tocantins.
Por onde anda Garrinchinha?
Longe dos gramados, Maria Eliane continuou sua vida em Palmas. Moradora da capital tocantinense desde 1999, construiu uma nova trajetória profissional e atualmente é servidora pública na área da saúde.
Aos 55 anos, prestes a completar 56 anos em 31 de agosto de 2026, ela guarda as lembranças de uma carreira construída em uma época em que jogar futebol feminino também significava enfrentar preconceitos, dificuldades e a falta de oportunidades.
Sua história integra a memória do futebol feminino do Tocantins e merece ser resgatada. Antes de a modalidade conquistar maior visibilidade, investimentos e reconhecimento, foram jogadoras como Elianinha — ou Garrinchinha, como ficou conhecida em outra fase de sua trajetória — que ajudaram a manter viva a paixão pelo futebol e a abrir caminhos para as gerações seguintes.
PERFIL
Nome: Maria Eliane da Silva
Apelidos: Elianinha / Garrinchinha
Nascimento: 31 de agosto de 1970
Naturalidade: Bambuí (MG)
Posição: Lateral-esquerda e jogadora coringa
Em destaque: Gurupi Esporte Clube e participação na 7ª Copa Brasil
Moradora de Palmas: desde 1999
Profissão: Servidora pública na área da saúde














