Não teve acordo entre a diretoria do Ipiranga e a Prefeitura de Aliança sobre a possível celebração de um convênio de R$ 12 mil a favor do clube para a disputa do campeonato Estadual. Com isso, o Ipiranga está fora da seqüência do Campeonato Tocantinense. A equipe teria um compromisso amanhã contra o Juventude de Dianópolis pelo Estadual, mas a partida não irá acontecer em razão deste acontecimento.
Durante a curta participação no campeonato em suas quatro rodadas o Ipiranga obteve três derrotas e um empate, e a diretoria do clube oficializou na manhã de ontem o anúncio da saída do clube do campeonato.Como punição pela desistência, o clube ficará impedido de participar de competições oficiais organizadas pela Federação Tocantinense de Futebol (FTF) pelo período de dois anos, a contar da data de ontem – quando o clube oficializou através de documento a sua saída do certame. Com isso, o retorno será somente em 2011 na segunda divisão.
De acordo com o regulamento todos os times que já enfrentaram o Ipiranga e ainda iriam jogar segundo a tabela ganharão três pontos e o placar registrado será por 3 a 0.
O técnico do Ipiranga, Janair Lopes, que assumiu o clube depois do pedido de demissão de Cássio Cunha, ficou apenas uma semana à frente do Leão do Sul. Para quem resolveu apostar no Ipiranga a decepção foi grande, como é o caso dos jogadores que na sua maioria vieram de fora. E com a decisão da diretoria terão que retornar para casa com um futuro incerto, tendo como certeza apenas o desemprego, como é o caso do lateral-esquerdo Sidney, que veio do Palmas e mora em Porto Nacional. Ele estava no Ipiranga há cerca de um mês e 20 dias.
Hotel
No hotel onde os jogadores ficavam hospedados, o clima era de tristeza, ao ter que arrumar a mala e voltar para casa sem saber o que vai fazer de agora em diante da vida, como afirma o lateral-direito Guará, que veio do Botafogo de Ribeiro Preto (SP). ?Eu acreditei nisso aqui. Agora estamos decepcionados sem saber o que pode acontecer com nós atletas. Tenho proposta, resta saber o que será determinado pela FTF?, afirmou.
Ainda de acordo com os jogadores, a situação ficou tão ruim, que a direção do clube chegou a pressionar os atletas em relação aos salários.
?Estávamos aqui há quase dois meses. E quando nos falaram que o time sairia do campeonato foi um abalo para todos nós?, frisou o volante Hélio que veio do São José, de Palmas.
Contas
Além dos jogadores, o clube ainda tem que acertar as contas também com outros departamentos da cidade, como é o caso do empresário, Francisco Lacerda, proprietário do hotel onde os jogadores ficaram hospedados por mais de 30 dias. ?Eu aluguei meu hotel confiando na promessa do prefeito que me assegurou que não levaria prejuízos, mas até o momento não recebi e a dívida juntando aluguel, água e luz ultrapassam os R$ 1.500. Fiquei sabendo que eles pagaram apenas os jogadores de fora, deixando comerciantee como eu e os jogadores da cidade sem receber?, informou.
Na cidade, os comentários vão muito além do financeiro, passa a ser um desabafo do torcedor apaixonado pelo clube que considerava o futebol como único atrativo da cidade. ?Essa situação é um desrespeito não apenas como os jogadores, mas também com o município e sua população. ?, desabafou o motorista Cícero Cavalcante. Para o cabeleireiro Denevan Nogueira, a situação do clube virou um pesadelo. ? Estou envergonhado perante todo o Estado?, disse. Procurado pelo Jornal do Tocantins, o ex-presidente do clube, que renunciou na última quinta feira, Ruberval Paulo, não quis gravar entrevistas para esclarecer os motivos pelo qual o clube abandonou o campeonato tocantinense.
Entenda o caso
A Prefeitura de Aliança havia prometido antes do início do campeonato que ira ajudar o Ipiranga através da celebração de um convênio no valor de R$ 12 mil mensais. Mas o clube diz que seria R$ 20 mil. No entanto, de acordo com o prefeito de Aliança, José Rodrigues (Zé Piqui), o clube não conseguiu prestar as contas dentro das normas legais, e desta forma, não houve condições da Prefeitura celebrar o convênio com o clube. Segundo o prefeito, ficou impossível a assinatura de qualquer convênio, já que colocaria em risco a administração municipal, se isso fosse feito sem cumprir a lei.











