Nos últimos anos vem virando rotina no Estádio Nilton Santos a falta de uma ambulância para poder dar início a alguns jogos seja do Campeonato Tocantinense ou até mesmo do Brasileiro da Série C como Palmas x Paysandu (2008). Mas a cena voltou a se repetir no último sábado na abertura da 17ª edição do Estadual no jogo Tubarão 0 x 2 Araguaína – para revolta não só dos jogadores, mas de quase mil pessoas presentes no local. E no domingo, novamente o fato se repetiu com a improvisação de um veículo de passeio que foi aceito pelo árbitro do jogo Tocantins 2 x 5 Gurupi – Jânio Pires. Ontem, o Jornal do Tocantins ouviu dirigentes dos clubes, Federação Tocantinense de Futebol, Corpo de Bombeiros e Secretaria Municipal da Saúde e cada um deu a sua versão.
Semus
O secretário Municipal de Saúde de Palmas, Samuel Bonilha, disse que a Secretaria não tem qualquer responsabilidade em relação ao fato que vem ocorrendo no Estádio Nilton Santos. Segundo ele, como os clubes cobram ingressos dos torcedores em suas partidas e ainda recebem ajuda em dinheiro de convênios tanto da Prefeitura como do Governo do Estado, ele entende que deveriam alugar uma ambulância particular e resolver a questão.Ele revela ainda que no momento apenas três ambulâncias estão em condições de atender a população de Palmas, pois outras três estão com problemas – sejam batidas ou em manutenção.
Bombeiros
A Assessoria de Imprensa do Corpo de Bombeiros informa que a questão é antiga, mas que já havia notificado a FTF, a Secretaria Estadual do Esporte (Sespo) e os dirigentes dos clubes (Palmas, Tocantins e Tubarão) avisando que este ano a corporação não iria fazer este atendimento, pois não tem responsabilidade sobre o assunto. E cita o Estatuto do Torcedor em seu artigo 16 dizendo sobre a responsabilidade do organizador do evento de providenciar a ambulância. Porém, nas normas especiais do Campeonato Tocantinense 2009, a FTF atribui aos clubes a responsabilidade sobre a questão.
FTF
Para o superintendente da FTF, José Wilson Soares, está faltando bom senso dos gestores das áreas competentes, pois os clubes e nem a federação não tem condições de bancar uma ambulância para realizar o evento. E cita as cidades do interior como Araguaína, Tocantinópolis, Aliança, Colinas, Paraíso e Dianópolis que as prefeituras enviam ambulância sem causar qualquer problema. ? Sei que não é fácil para o gestor público entender a esta situação, mas pedimos a eles que usem o bom senso e nos atendam, pois acredito que não iria atrapalhar em nada o andamento do serviço deles?, espera o superintendente.
Palmas
O superintendente de futebol do Palmas, Belmiran José de Souza, disse que sabe das dificuldades de todo mundo, mas que o clube dentro da medida do possível vai honrar com este compromisso.
Já o presidente do Tocantins, Antônio Cândido, disse que não tem nenhuma solução para o problema, mas que está correndo atrás de alguma alternativa, e chega a apelar para o Governo do Estado para que solucione a questão. O presidente do Tubarão, Manoel de Jesus, também foi procurado para falar sobre o assunto, mas não retornou a ligação.
Punição
Diante dos transtornos ocorridos, a FTF baixou ontem à tarde, uma portaria explicando que conforme determina o parágrafo I do artigo 14 das Normas Especiais do Tocantinense que fala sobre a necessidade de ambulância presente nos estádios durante a realização dos jogos, a entidade diz que em hipótese alguma o árbitro autorizará o início de uma partida sem a presença da mencionada ambulância durante a realização do Estadual. Caso não haja ambulância e policiamento presente no Estádio, será aguardado o prazo máximo de 40 minutos ?improrrogáveis?, se não for solucionado o problema a partida será suspensa e a associação mandante será considerada perdedora pelo placar de 3 a 0 para todos os efeitos. ? Se isso acontecer será com dor no coração, mas a FTF terá que cumprir a lei?, alertou o superintendente.
Saiba mais
Estatuto do Torcedor – Artigo 16. É dever da entidade responsável pela organização da competição: contratar seguro de acidentes pessoais, tendo como beneficiário o torcedor portador de ingresso, válido a partir do momento em que ingressar no estádio; III ? disponibilizar um médico e dois enfermeiros-padrão para cada dez mil torcedores presentes à partida; IV ? disponibilizar uma ambulância para cada dez mil torcedores presentes à partida; e V ? comunicar previamente à autoridade de saúde a realização do evento.











