O Brasil teve nesta terça-feira seu melhor dia na Paraolimpíada de Pequim. Foram cinco medalhas de ouro, e a conseqüente ascensão para a quinta posição no quadro geral de medalhas, com oito medalhas de ouro, quatro de prata e cinco de bronze. A China está no topo, com 16 de ouro, 21 de prata e 16 de bronze.
Um dos destaques foi a primeira medalha de ouro no atletismo, com o velocista Lucas Prado, que ganhou a disputa dos 100 metros, categoria T11 (para cegos), e quebrou seu próprio recorde mundial, com o tempo de 11s03. Considerado o mais veloz dos atletas paraolímpicos, Prado, de 23 anos, venceu com folga a disputa no Ninho do Pássaro.
?Essa conquista é fruto do treinamento, da dedicação. Tive muitas lesões, mas consegui superar e vencer. Fiz um tempo excelente. Não consegui ficar abaixo dos 11 segundos, mas a meta é seguir este trabalho?, disse o atleta, que tinha 11s19 como recorde anterior.
Prado perdeu 90% da visão há cinco anos, quando trabalhava em um banco e teve deslocamento da retina. Em 2006, ficou completamente cego. Ele treina em Joinville, Santa Catarina, com o guia Justino Barbosa.
Antes de Prado, na prova feminina dos 100 metros rasos T11, o Brasil conquistou duas medalhas: Terezinha Guilhermina levou a prata, com 12s40, e Ádria Santos ficou com o bronze, com 13s07 – o ouro foi da chinesa Wu Chinmiao, com 12s31.
Dobradinha
Na natação, André Brasil chegou na frente nos 100 metros livre, categoria S10, também com a melhor marca do mundo: 51s38. Em segundo chegou outro brasileiro, Phelipe Andrews, com 54s22.
?Foi muito bom quando eu bati e vi que o Phelipe estava em segundo. É uma alegria muito grande e a gente comemorou ouvindo o Hino Nacional?, contou André.
Phelipe, de 18 anos, entrou na natação paraolímpica há apenas três meses e está na sua primeira competição internacional. ?Eu nem acreditei. Esperava ficar em terceiro, mas consegui a prata. Eu estou muito, muito feliz, eufórico?, comemorou Phelipe.
Nos 200 metros livre, categoria S5, Daniel Dias ganhou sua terceira medalha de ouro, com o tempo de 2min32s32. Clodoaldo Silva, que foi obrigado a mudar de categoria dias antes, acabou na quinta posição, com 2min50s89.
Bocha
O Brasil tinha apenas dois representantes na bocha e fez bonito. Dirceu Pinto foi ouro e Eliseu Santos ganhou o bronze na classe BC4 (portadores de distrofia muscular) ?Não tenho palavras. Eu estou tremendo até agora. Para completar a felicidade o Dirceu ainda trouxe o ouro, foi 100%?, disse Eliseu.
No judô, Antônio Tenório se tornou o primeiro brasileiro a ser tetracampeão paraolímpico, ao derrotar Karin Sadarov, do Azerbaijão, por ippon, na decisão da categoria até 100kg. ?Essa medalha tem um pedacinho de cada brasileiro. Espero que o meu feito sirva de exemplo para os milhões de deficientes no País?, disse Tenório após a conquista.
Perguntado se iria parar após participar da sua quarta Paraolimpíada, o judoca de 38 anos falou que ainda não sabe sobre o seu futuro. ?Se eu vou parar ou não só o tempo dirá?, afirmou.
Após a luta, Tenório levantou o braço de Sadarov, seu adversário, em homenagem à grande luta que protagonizaram. ?Ele também é um vencedor e faria a mesma coisa?, contou o judoca, que carregou a bandeira do Brasil na cerimônia de abertura dos jogos.
Outra brasileira a ganhar medalha no judô foi Deanne de Almeida, que conquistou a prata na categoria acima de 70kg. Ela disputou contra a final contra a atleta chinesa Yuan Yanping, e perdeu por ippon. ?Essa medalha mostrou que eu tenho capacidade. Ainda posso treinar mais e melhorar. Lutar com a torcida contra não me atrapalhou, acho que a chinesa foi mesmo melhor?, disse Deanne.
No hipismo, o Brasil ganhou ainda uma medalha de bronze, com Marcos Alves, na grade Ib.
(Fonte:AE)











