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Lula pede maior apoio de empresários ao esporte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso com muitas cobranças e algumas alfinetadas na cerimônia de assinatura de aproximadamente 700 novos contratos de concessão do Bolsa-Atleta nesta segunda-feira, no Pinheiros, em São Paulo. O principal mandatário do país quer as prefeituras abrindo as áreas esportivas das escolas nos fins de semana e a iniciativa privada dando mais apoio ao esporte de competição.


Durante o discurso, Lula disse sentir-se gratificado por se autoproclamar o governante que mais atuou em favor dos atletas brasileiros, mas ressaltou que a tarefa não é apenas do Estado e garantiu que cobrará mais apoio dos empresários na área do esporte.


”Eu queria dizer a vocês estou gratificado, não porque já fizemos tudo que temos que fazer ou podemos fazer, mas porque o pouco que fizemos é muito mais do que já se tinha feito em qualquer outro momento da história deste País. Com poucos recursos, poderemos resolver a situação do esporte”, disse Lula, comemorando o aumento das verbas destinadas ao programa – começou em R$ 13 milhões e chegou a R$ 40,3 milhões em 2008, com 3.313 atletas recebendo bolsas entre R$ 300 a R$ 2,5 mil.


Com a assinatura desta segunda-feira, Lula cumpriu a promessa feita depois da Olimpíada de Pequim que todos os candidatos que se inscrevessem para requerer o benefício e estivessem aptos a recebê-lo não ficariam sem apoio. Nos anos anteriores, havia uma limitação no número de bolsas e houve esportistas preteridos.


”Temos uma discrepância no Brasil entre atletas. A iniciativa privada brasileira, do ponto de vista econômico, correto, patrocina muitos atletas que já são famosos, que dão retorno econômico. E esquecem que para que aquele atleta ficasse famoso e desse retorno econômico, em algum momento, antes de ficar famoso, alguém apostou nele”, afirmou.


”Acho que o que precisamos é ter um pouco mais de coração. Muitas empresas brasileiras ganham muito dinheiro”, declarou. ”Vou me comprometer aqui a conversar com os principais empresários brasileiros porque não é só o Estado que tem que fazer. A iniciativa privada também tem a obrigação de dar a esses jovens a chance de ser atletas importantes e internacionais”, acrescentou.


Lula citou o caso da corredora Maria Zeferina Baldaia, ex-cortadora de cana do interior de São Paulo, para ilustrar o fato de que é preciso investir no esporte para formar vencedores. ”De vez em quando uma cortadora de cana ganha, mas de vez em quando. E em esporte a gente sabe que não pode ficar à mercê da sorte”, disse.


Depois, falou de si mesmo e disse que o esporte é o fator que ”dá mais chances para um pobre subir na vida”. ”De vez em quando tem um milagre e um deles chega à Presidência da República”, brincou. ”Futebol é sobretudo uma coisa de pobre.”


O presidente elogiou a criação de um programa similar ao Bolsa-Atleta pelo governo de São Paulo e clamou os demais governadores a fazerem o mesmo em seus Estados. Ele reclamou da falta de espaço para o esporte em diversas cidades e do fato de que as escolas públicas, onde crianças podem treinar, ginásios e estádios de futebol fiquem fechados para o público.


”Vou convidar os prefeitos para vir a Brasília para fazer a minha pauta de reivindicações para eles. Uma dessas coisas seria o seguinte: cada prefeito, seja de Santarém, Quixeramobim, Baixada Fluminense, periferia de São Paulo, cada prefeito, se quiser, tem a sua pequena Bolsa-Atleta e cria condições para que os atletas de sua cidade possam competir. É apenas uma questão de querer, de definir prioridades”, afirmou, sob aplausos da platéia.


”Esse desafio eu vou querer fazer para os prefeitos. Da mesma forma, vou desafiar os prefeitos a acabar com o analfabetismo no Brasil”, acrescentou. ”Se a gente, cuidar do esporte, da educação e da cultura, nós estamos competindo com o crime organizado. Dê motivação a uma criança e eu duvido que ela vá atrás de droga”, disse o presidente.


Lula também elogiou o ministro do Esporte, Orlando Silva. ”Quero cumprimentar o Orlando porque finalmente valeu a pena ter um ministro do Esporte no País. Normalmente um político, quando ganha as eleições, a primeira coisa que ele faz é chamar um grande jogador para ser ministro. E eu acho que quando você coloca a corporação, a tendência natural é o dirigente se dedicar apenas ao esporte que ele praticava. Nós tivemos a Lei Pelé, a Lei Zico, a lei não sei das quantas, cada um que entrou fez a sua lei quando, na verdade, nós precisamos de alguém que tem uma visão das especificidades, uma visão conjunta da prática de esportes neste País.”


Os atletas paraolímpicos também foram citados de forma elogiosa por Lula. ”Portadores de deficiência são os governantes que não querem enxergar que mesmo portadores de deficiência visual e cadeirantes podem ser grandes atletas. Jamais imaginei um portador de deficiência visual jogando bola e às vezes jogam melhor do que muitos atletas”, admitiu.


Bem-humorado, o presidente aproveitou o evento para falar sobre o Campeonato Brasileiro. Ele disse que o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), presente à cerimônia, estava feliz porque seu time, o Santos, não seria rebaixado; o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, estava feliz porque o São Paulo poderia ser o campeão brasileiro.


”O José Serra está feliz porque o Flamengo poderia ter marcado mais que cinco gols no Palmeiras pelo que jogou. Eu feliz da vida porque o Corinthians é o primeiro da Segundona. Eu por mim deixaria o Corinthians definitivamente na Segunda Divisão. Mas eu sei que pessoas como o Juvenal estão preocupadas porque quando o Corinthians voltar para a Primeira acabou a festança do São Paulo no País”, brincou.


(Fonte:AE)

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