

Cadê o araguainense Tiba que fez sucesso no Vasco e Bragantino
Por onde anda o atacante Arione Ferreira Guedes, popularmente conhecido como Tiba, um dos primeiros, senão o primeiro, jogador a levar o nome do Tocantins pelo Brasil. Ele foi o autor do gol do título do Bragantino contra o Novorizontino, no empate por 1 x 1, na final do Campeonato Paulista de 1990, em Bragança Paulista no Estádio Marcelo Stéfani.
Em sua linda trajetória nas quatro linhas defendeu clubes importantes do futebol brasileiro como Vasco, Guarani, Portuguesa, Paraná Club e Corinthians, entre outros times. Jogou apenas dois meses no Flamengo. Encerrou a carreira em 2003, em sua terra natal, Araguaína pelo Tourão do Norte, o Araguaína Futebol e Regatas, onde reside até hoje e possui a Escolinha Tiba Sport Center. Neste sábado, 2 de maio, Tiba, foi o entrevistado programa CBN Tocantins Esportes, pelo jornalista Reinaldo Cisterna e contou toda sua trajetória do futebol.

(Entrevista na CBN) https://www.cbntocantins.com.br/cmlink/cbnto/programas/cbn_esportes/CBNEsportes.cbnto.pro
Carreira
Tiba disse que deixou Araguaína com 14 para 15 anos para jogar no Rio Branco de Americana, mas foi se destacando e em apenas seis meses foi negociado o Flamengo, porém, no Rubro-Negro, ficou somente dois meses e retornou para Americana. E logo em seguida, o Rio Branco negociou seu passe com o Vasco, onde permaneceu por seis anos entre 1984 e 1989. No Vasco passou por todas as categorias de base como juvenil, juniores até o profissional, onde foi campeão Carioca em 87/88. Mas ele conta que a concorrência no Vasco era muito grande porque na posição dele de atacante tinha Romário, Roberto Dinamite, França, Sorato, Mauricinho, Bismarque, entre outros.
Bragantino
Ainda em 89, o diretor do Vasco Paulo Angione acertou seu ingresso no Bragantino, do dirigente Nabi Abi Chedid. “Lá me dei bem. A torcida, os dirigentes e a imprensa gostava muito da minha pessoa e eu retribuía em campo com meus gols ajudando o clube a conquistar títulos e acesso”, lembrou.
Pelo Bragantino ajudou o Massa Bruta a ter o acesso da Série B a Série A em 1990. No jogo de ida, vitória do Braga por 1 x 0. E nesse jogo de volta, o Leão superou a Águia do Vale por 2 x 1, de virada, e foi campeão da Série B. No mesmo ano foi campeão paulista marcando o gol do título diante do Novohorizontino, no empate por 1 x 1. “Em 91, no vice-campeão Brasileiro diante do São Paulo eu tinha retornado do Vasco”, comentou. https://globoesporte.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/futebol/times/bragantino/noticia/primeiro-titulo-do-bragantino-no-brasileiro-da-serie-b-completa-30-anos-relembre-a-conquista.ghtml
Mas recorda de vários companheiros de 90, como Gil Baiano, Nei, Mauro Silva, Biro-Biro, Marco Aurélio, Alberto, do fisioterapeuta Rosan, que depois fez sucesso no São Paulo e Seleção Brasileira e Marco Aurélio Cunha, que era o médico do Bragantino, além do técnico Vanderlei Luxemburgo. “O Luxemburgo ganhou muitos títulos e bichos por causa dos meus gols. Sempre que falo com ele eu digo isso. Ele me agradece”, comentou Tiba.

Depois retornou ao Vasco em 1991, a concorrência era muito grande no clube foi emprestado para o Guarani, depois passou pelo Paraná Club. Foi para a Portuguesa em 1994 e 95 jogando na Lusa viu também vários jogadores importantes jogar por lá. Mas o que chamou sua atenção foi o jogador Zé Roberto. “Menino ainda, mas já sabíamos que seria um excelente jogador e cada dia que passava ele era diferente dos demais. Mas também vi outros surgirem lá como Tico e Simão”, destacou Tiba.
Corinthians
Quando estava no auge da carreira em 1996, trocou a Portuguesa pelo Corinthians. O início foi bastante promissor conta Tiba, onde já tinha feito três gols em quatro jogos e vinha chamando atenção da torcida, dirigentes da imprensa durante a pré-temporada, mas deu azar de machucar o joelho. Ele conta que foi numa entrada do lateral vascaíno Pimentel, que acabou rompendo o ligamento cruzado posterior, anterior e os laterais. Segundo Tiba, que lamentou o ocorrido, e foram praticamente dois anos inativos e duas cirurgias, o que tirou a condição de prosseguir na carreira com a mesma desenvoltura de antes da lesão. Tiba ainda jogou depois pelo Ituano, Portuguesa, São José (SP) e Juventude (RS), seu último clube no cenário nacional.

Amor
Tiba faz uma comparação entre a época que jogou e os jogadores dos dias atuais. Segundo ele, aquele tempo os jogadores jogavam por amor. Disse ele que conversava o Luisão, Amoroso, Djalminha, e todos diziam a mesma coisa. Os atletas tinham mais qualidade, davam mais espetáculos, faziam jogadas mais bonitas e ganhavam bem menos que os atuais. “Aqui a gente enfrentava seleções como a do Palmeiras, que tinha Veloso, Mazinho, Muler, Rivaldo, Roberto Carlos, Djalminha, Luisão. Quando pensávamos em jogar com o São Paulo sabíamos que teríamos pela frente outra seleção. Mesma coisa com o Santos, enfim, os times eram bem melhores”, ressaltou afirmando que hoje o futebol é mais físico e igualou-se tudo. Hoje vejo que o futebol é mais força e pouca técnica e sem tantas jogadas bonitas.
Dinheiro
Questionado se conseguiu ganhar dinheiro na carreira. Tiba afirma que sim. “Deu pra ganhar dinheiro, mas se quisesse ter um bom salário era preciso jogar num time grande, diferente de hoje que tem jogador nos times do Interior de São Paulo que ganham entre 70 a R$ 150 mil por mês e eu considero atletas normais”, explicou.
Melhor jogador
Tiba lembra de sua passagem pelos vários times que atuou e diz que a qualidade a favor ou contra eram diferentes dos dias atuais. “Eu treinava com Romário. Ele era diferente na arrancada, finalizações e tomada de decisões. Vi o Rivaldo, Ronadinho Gaúcho, Djalminha, jogadores excepcionais. Na Portuguesa acompanhei quando o Zé Roberto subiu para o profissional para jogar com a gente”, destacou acrescentado que Zé Roberto era muito diferente dos demais. Viu também na Lusa, Tico, Roque, Rodrigo Fabri. No Guarani, o Amoroso. Mas se tornou fã mesmo foi do meia Juninho Pernambucano.
Segundo Tiba, ele teve passagem de cinco meses pelo Sport e viu o início da carreira do Juninho Pernambucano e afirmou: este cara vai longe. Ele é muito bom e realmente acertou porque depois Juninho foi parar no Vasco saindo do Sport e virou ídolo do time Vascaíno. Depois foi para a França e Seleção Brasileira”, comemorou.
Tocantins
Com a lesão de joelho no Corinthians disse Tiba que seu futebol ficou limitado, pois a medicina da época não era tão boa como hoje. Antes de jogar no Araguaína fez alguns jogos pelo Juventude (RS) pela Libertadores da América, e em 2004 retornou ao Tocantins, onde foi jogador e técnico. Como treinador teve o privilégio de comandar o Araguaína na Copa São Paulo de 2015. Segundo ele, se fosse hoje com certeza o Araguaína passaria de fase.
Em Araguaína é proprietário da Escolinha Tiba Center, onde procura revelar atletas e levar para o grande centro. “Já consegui colocar no mercado o atleta Marcos André, o Maranhão que hoje joga no Real Valladolid, da Espanha, cujo o dono e presidente do clube é Ronaldo Fenômeno”, finalizou.
Perfil
Nome: Arione Ferreira Guedes
Apelido: Tiba
Data de nascimento: 09/10/68 (51 anos)
Natural: Araguaína (TO)
Posição: Atacante
Altura: 1.77 cm
Peso: 75 kg
Clubes:
Rio Branco de Americana (SP)
Vasco
Bragantino
Guarani
Paraná
Portuguesa
Corinthians
Ituano
São José
Pausandu
Juventude (RS)
Araguaína (TO)